SOBRE RODAS: 6.500km, subindo a Cordilheira e avançando rumo ao Atacama

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“Passados 4 meses de viagem, 6.500 km percorridos, chegamos ao 4º país: Chile.

Para chegar até aqui, cruzamos a Argentina desde Buenos Aires, até Las Cuevas um “pueblo andino” que fica no meio das Cordilheiras dos Andes e  faz divisa com o Chile. Devido alguns contratempos de clima e trechos de serras e montanhas acabamos passando 7 dias do planejamento inicial que era de 1 mês.

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A Argentina é um país de povo muito receptivo, alegre e simpático. Sempre que avistavam a bandeira do Brasil já vinham com a pergunta clássica: “Quem é melhor, Messi ou Neymar?” Para todo lado tem uma pelota rolando, gostam muito de futebol, porém aquela rivalidade “criada” entre os Brasil e Argentina, de não gostarem de brasileiros, não existe ou pelo menos, não fomos recebidos assim. Pelo contrário, quando viam que éramos brasileiros era mais calorosa a recepção! No início do trajeto, passamos por grandes cidades,  com belos parques e, a medida que fomos seguindo para o norte  do país, foi bem marcante a mudança das condições climáticas e a vegetação. Saímos de uma região bem úmida e mais fresca , chamada delta do  Rio Parana, com dias de chuvas e temperaturas baixas. El Tigre, por exemplo, é uma cidade bem particular: fica às margensdo rio e seus vários braços  vão “cortando” a região e formando várias ilhas ao redor, que podem ser visitadas, saem barcos a todo tempo… Ao norte do país, o clima foi ficando cada vez mais seco, a vegetação ia se transformando em deserto, a temperatura foi ficando mais extrema – muito calor de dia e muito frio a noite. E durante o pedal, ventos fortes dificultavam seguir em frente. Tiveram dias que chegamos a ficar 4 horas esperando o vento diminuir para tentarmos pedalar. Foram trechos bem desgastantes em que nosso rendimento de percurso dificultava.FullSizeRender_1

Chegamos em  Córdoba, uma grande cidade argentina. Pegamos um sentido e a partir dai nosso trajeto foi praticamente de serras, com paisagens incríveis e temperaturas cada vez mais extremas. Como cada vez mais íamos ficando em uma altitude maior, o céu parecia cada vez mais limpo e o raios solares cada vez mais agressivos. Enfrentamos dias que deixaram bolhas em nossa pele devida tamanha ação do sol. Nas Cordilheiras dos Andes, atingimos 3.180 metros de altitude.Ali tem um céu particular de um azul vibrante que nunca havia visto igual. A medida que íamos chegando ao ponto mais alto, foi ficando cada vez mais raro encontrar civilização, havia apenas pequenos “pueblos”. Imaginamos quão difícil debe ser viver por ali, com estações do ano bem marcadas.

No alto dos Andes, tivemos um problema com a roda traseira da bicicleta, quebrou inteira (as rodas nao têm suportado tanto peso e sempre necessitam de reparos), porém dessa última vez foi necessário trocá-la. Nas Cordilheiras foi impossível resolver o problema, tivemos que empurrar a bicicleta por 20km, subindo as serras. Na Aduana Chilena,  Thiago conseguiu uma carona até a próxima cidade, Los Andes-Chile onde pôde trocar a roda para seguir viagem.FullSizeRender_2

Chegando ao Chile já deu para perceber como é tudo muito bem organizado: cidades limpas e tudo parece funcinar com um certo rigor.  A vegetação jé é bem diferente. Como é primavera está tudo verde, com flores e um clima bem agradável. Aqui iremos cruzar o deserto do Atacama – o deserto mais seco do mundo – promete ser mais um grande desafio e com certeza, com belas paisagens!

Um grande abraço e até o próximo relato!”

Vandré GonçalvesFullSizeRender

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